Bom, no meio de um plantão na redação, vi que o ator Paulo Autran morreu. Eram 4 horas e 10 minutos da tarde… mas o site do Estadão o matou antes. Às 11h04, uma notícia de duas linhas informava a morte “confirmada” pela assessoria de imprensa do Hospital Sírio Libanês. Essa mesma notícia foi para a manchete principal do portal. E depois sumiu. Claro, que o estado dele era gravíssimo e alguém passou o carro na frente dos bois.
Até guardei a tela, veja a seguir.
A matéria foi deletada da lista de notícias. Sem correção ou justificativa alguma. Depois o site registrou sua internação em estado grave. Só às 16h33 outra matéria trouxe, agora oficialmente, a morte confirmada. Autran morreu primeiro numa apuração do Estadão.
Para não dizerem que não falei de flores, deixo a minha homenagem ao ator com um trecho de um perfil que guardo a sete chaves na minha coleção da Revista Realidade:
(…) quando Autran fazia o Otelo de Shakespeare, o crítico Décio de Almeida Prado escrevia sobre ele: ‘Paulo Autran é certamente o ator mais seguro de nosso teatro, bom na comédia e no drama, na peça antiga e na moderna, tem força e delicaleza, sensibilidade e inteligência’. Forte e delicado, sensível e inteligente, Paulo Autran tem a alma dos velhos gregos num corpo de romano antigo. É um homem maduro, de cabelos grisalhos, de entradas cada vez mais pronunciadas, de olheiras profundas contornando os olhos de combinação estranha – o esquerdo é verde, o direito castanho – o nariz e o queixo angulosos e agressivos, a testa alta, os lábios finos mordendo sempre um sorriso irônico. E as mãos bem tratadas ajudando as frases com gestos naturais (…)
Filed under: jornalismo |
Tags: cultura, erros, imprensa, internet, jornalismo

2 Responses to “Paulo Autran morreu antes… no Estadão”
Leave a Reply