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“Diários de Havana” - André Deak em Cuba

Deixo aqui a indicação para o blog do André Deak que está publicando a série “Diários de Havana”, com reflexões sobre a estadia dele em Cuba durante um curso de roteiro de cinema - coisa que vai complementar seu trabalho como formulador e executor de narrativas multimídia.

Debate antes e depois de “Tropa de Elite”

Hoje, assisti “Tropa de Elite” no cinema. O filme de José Padilha é impressionante. O roteiro fantasticamente bem articulado tem apenas um narrador, um capitão do Bope. Mas, queiram ou não, abre espaço para várias versões sobre as causas da violência. É um marco na discussão sobre repressão ao tráfico, financiamento do crime, violência policial e o papel do Estado.

Ufa! Você passa a ver de maneira diferente sacos plásticos, cabos de vassoura e papelotes de cocaína vendidos no xerox da faculdade. Acho que assisti o filme depois de todo mundo, mas não consegui deixar de escrever sobre o assunto. Aliás, não me conformo que o filme não foi selecionado para disputar o Oscar… que ganhe algum festival melhor então, o debate explícito do Brasil já ganhou…

Atualização: gente, nesse início de novembro, procurando coisas sobre o Haiti na net, cheguei até o Blog da Segurança Pública. Tem uma análise do sobre o filme Tropa de Elite, que é muito boa. E uma outra sobre o livro que originou o roteiro para o cinema. Reproduzo um trecho:

O filme também procura passar um conceito de honestidade sob a ótica do BOPE (que não sei se é realmente assim naquela unidade), ou seja, quem rouba não presta, mas matar… matar não tem problema, desde que seja matar traficante. Na ética do filme, ser traficante é mau e ser assassino é bom. Desde que o morto seja bandido, mesmo o bandido travestido de PM. Não existe traficante recuperável e não vale a pena perder tempo prendendo ninguém. Todos devem ser mortos. Em combate, pelas costas, depois de dominados, não interessa. Aliás, o filme traz apenas duas categorias de policiais: os corruptos e os do BOPE.

O preço do açúcar, um filme sobre o Caribe

Quem leu o relatório dos auditores fiscais que flagraram trabalho escravo na fazenda Pagrisa, no Pará, pode começar a ver semelhanças com esse filme dirigido pelo diretor Bill Hane, que está sendo exibido nos Estados Unidos. O New York Times publicou uma reportagem sobre o documentário “The Price of Sugar”. O vídeo mostra os haitianos, que, seduzidos pelo trabalho, ficam submetidos às condições de servidão nas plantações de cana-de-açúcar da fronteira da República Dominicana.

Walter Astrada/Divulgação

“Cada ano, quando a colheita da cana se aproxima, cerca de 20 mil trabalhadores haitianos são recrutados com a promessa do trabalho constante e de pagamento mais elevado do que podem ganhar no Haiti, o mais pobre dos dois países. Com a cumplicidade de autoridades militares e de imigração, o filme conta como estes imigrantes são carregados em caminhões, têm seus documentos de identificação confiscados e são transportados no meio da noite até os ‘bateyes’, onde muitos ficam abrigados dentro de quartéis parecidos com os campos de concentração. A estimativa da população de haitianos sem documentos que vivem no campo variam de 650 mil a 1 milhão”, diz o texto do jornal.

Veja a seguir o trailer do filme.


Ah, até procurei com a produtora, mas não encontrei a informação se o filme vai chegar no Brasil. Mas no site da produtora tem um contato para organizadores de festivais. Se alguém quiser procurar, pode entrar .

Cinema latino com petrodólares

Uma boa matéria do jornal Valor Econômico da semana passada fala que a Venezuela, sob o comando do presidente Hugo Chávez, quer lançar uma indústria cinematográfica para contrapor o conteúdo produzido pela visão norte-americana de Hollywood. Detalhe: um dos filmes anunciados é uma espécie de biografia do líder negro Toussaint L’Ouverture, que comandou a independência do Haiti contra a metrópole França.

Essa talvez seja um dos mais belos capítulos da história haitiana - fundar a primeira república negra das Américas. À época, um péssimo exemplo para os escravocratas Brasil e Estados Unidos. É aguardar para ver. Segundo detalhe, e não qualquer um: a estrela do filme deve ser o ator Danny Glover, herói de Máquina Mortífera. Garimpando a rede, achei essa foto dele, em 2003, com o ex-presidente Jean Bertrand Aristide, deposto no ano seguinte e origem da última crise política.


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