Textos categorizados 'trabalho'

A esperança é a única que morrerá

Adicionei novas fotos na minha conta do Flickr. Aqui no detalhe um boteco na divisa entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. O nome? Bar da Isperança.

O fim e o recomeço

Assim como Rodrigo Savazoni, Spensy Pimentel, André Deak, deixei o comando da Agência Brasil na última semana. Saio com o coração na mão diante do tamanho do trabalho que fizemos e com a cabeça cheia de idéias para o jornalismo. Agradeço os e-mails de despedida da equipe. Até qualquer pauta logo ali! Recomeço agora a trabalhar por novos desafios no jornalismo, ainda meio sem saber para onde. Abaixo minha carta de despedida e uma foto nossa na redação, gravando um depoimento na despedida do ex-presidente da Radiobrás Eugênio Bucci.

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Car@s,

Em minha conta nos computadores da Radiobrás, guardei até esse último dia, pelo menos 9 mil e-mails próprios sobre o trabalho na Agência Brasil. Somados aos documentos, foi quase 1 GB em arquivos. Trabalhos como repórter, como sub-editor, como pauteiro, como editor, como editor-executivo. Esta é a minha última mensagem eletrônica como integrante desta equipe, que, nos últimos quatro anos, conseguiu reposicionar editorialmente a Agência Brasil. Construímos juntos aqui um veículo de comunicação pública com foco no cidadão, objetivo, apartidário, de alta credibilidade e inovador em relação à convergência digital. Aprendemos, inclusive com os erros, a nos posicionar de maneira serena e democrática diante das mais diversas situações políticas. Dos debates inflamados das CPIs até os protestos de rua.

Aqui, neste espaço do primeiro andar travaram-se grandes brigas do jornalismo da Radiobrás. Durante as crises políticas, pautamos, coordenamos e publicamos o maior número de matérias sobre o assunto, o que nos levava ao teste diário e extremo da objetividade. Nossos conceitos se afirmam assim: a pluralidade, o on the record, o outro lado, a rejeição ao sensacionalismo e ao comentarismo desenfreado dos fatos. A Radiobrás nos mostrou uma experiência híbrida, que, por conta da legislação, lhe dava a atribuição da divulgação dos atos do governo e a permissão de estruturar rádios, televisões e veículos públicos. Trabalhamos de maneira gradativa e cumulativa pela separação de serviços estatais e de nosso notíciário com foco no cidadão. No caso da Agência Brasil, a separação completa. A nova empresa leva esse legado. A possibilidade real de seu conteúdo jornalístico ficar mais longe de qualquer governo.

Pessoalmente, esses últimos anos foram os mais intensos da minha vida e, provavelmente, os que gastarei mais tempo para descrever sua intensidade a amigos e filhos. Quero agradecer cada uma das pessoas que compartilharam esse projeto. A todos, desejo as melhores energias para que a busca de um jornalismo público brasileiro se consolide na Agência Brasil. A alguns, quero desejar mais do que isso. Quero desejar que recebam, em progressão geométrica, as milhares demonstrações de apoio profissional que tive ao longo desse período. Quando conclui o web-documentário Bon Bagay Haiti também pensava em vocês. Na necessidade de deixar a cobertura das autoridades e buscar a voz de quem nunca falou em um veículo de comunicação. E precisa ser ouvido.

Minha saída se explica pela necessidade de buscar novos desafios na comunicação e no jornalismo. Fechamos um ciclo de trabalho na Agência Brasil, com uma transição planejada e executada até este início da nova empresa de comunicação. Gosto de lembrar um trecho de Guimarães Rosa para falar sobre o futuro, que diz mais ou menos assim: “do que o da gente, vale a semente”. Que fique o bom trabalho. Tem lá no Grande Sertão Veredas, uma outra assim: “vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas”. E aqui me despeço. Para mim, esse período trouxe mais do que nove quilos, uma testa larga e extensa. Trouxe a confiança nessa equipe e a conquista das condições para executar com liberdade um jornalismo autônomo, livre, centrado nos debates da cidadania.

O passado também é urgente.

Abraço forte a tod@s,
Aloisio Milani

O preço do açúcar, um filme sobre o Caribe

Quem leu o relatório dos auditores fiscais que flagraram trabalho escravo na fazenda Pagrisa, no Pará, pode começar a ver semelhanças com esse filme dirigido pelo diretor Bill Hane, que está sendo exibido nos Estados Unidos. O New York Times publicou uma reportagem sobre o documentário “The Price of Sugar”. O vídeo mostra os haitianos, que, seduzidos pelo trabalho, ficam submetidos às condições de servidão nas plantações de cana-de-açúcar da fronteira da República Dominicana.

Walter Astrada/Divulgação

“Cada ano, quando a colheita da cana se aproxima, cerca de 20 mil trabalhadores haitianos são recrutados com a promessa do trabalho constante e de pagamento mais elevado do que podem ganhar no Haiti, o mais pobre dos dois países. Com a cumplicidade de autoridades militares e de imigração, o filme conta como estes imigrantes são carregados em caminhões, têm seus documentos de identificação confiscados e são transportados no meio da noite até os ‘bateyes’, onde muitos ficam abrigados dentro de quartéis parecidos com os campos de concentração. A estimativa da população de haitianos sem documentos que vivem no campo variam de 650 mil a 1 milhão”, diz o texto do jornal.

Veja a seguir o trailer do filme.


Ah, até procurei com a produtora, mas não encontrei a informação se o filme vai chegar no Brasil. Mas no site da produtora tem um contato para organizadores de festivais. Se alguém quiser procurar, pode entrar .


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