A saúde (ou falta dela) no Haiti

Um dos sintomas da pobreza é a saúde. Quando usamos, para o Haiti, a expressão “país mais pobre das Américas”, esse rótulo tem lastro claro, visível e aferível – embora todas as estatísticas sejam frágeis. Essa situação repousa na carência brutal de assistência básica à saúde. O Haiti está na categoria dos países pobres altamente endividados economicamente, e suas taxas de mortalidade materna e infantil são as mais altas do continente – dois principais indicadores sociais. O modelo de atenção à saúde é todo pago, o que gera uma exclusão concreta para a maioria dos desvalidos – 55% das pessoas vivem abaixo da linha de extrema pobreza, recebendo menos de US$ 1 por dia.

O relatório Saúde nas Américas 2007, lançado na última conferência internacional da Organização Panamericana de Saúde (Opas) e ainda pouco explorado na imprensa brasileira, traz dados sobre a situação haitiana. “Quarenta e sete por centro da população não têm acesso básico à saúde; 50% não têm acesso a medicamentos básicos. Uma consulta médica que custava 25 gourdes haitianos no final dos anos 1980, agora custa 1.200 – 48 vezes mais”, aponta o documento. “Oitenta por cento procuram cuidados de curandeiros tradicionais. Para muitos haitianos, a necessidade de pagar antes de receber tratamento acaba com sua obtenção de qualquer cuidado de saúde.”

Das vezes que estive no Haiti, vi isso mais de perto na primeira viagem, às vésperas do jogo da seleção brasileira. À época entrevistei, numa Cité Soleil ainda sitiada, a faxineira Magalie Foufoune, cuja história contei rapidamente numa reportagem da Revista Democracia Viva, do Ibase. Ela dizia que precisava pagar para ir ao médico. Dois de seus oito filhos haviam morrido antes dos cinco anos. E ela e sua mãe, dois anos depois quando voltei a Porto Príncipe, já estavam mortas por pneumonia e problemas gástricos. Lá no especial Bon Bagay Haiti os entrevistados reclamam da falta de hospitais também.

Abaixo, mais alguns números da pesquisa sobre o Haiti:

  • 1 em cada 12 crianças haitianas morre antes de completar cinco anos
  • cobertura de vacinas para crianças de até dois anos era de menos de 50%
  • em 2003, a Aids foi a principal causa de morte entre 20 e 49 anos
  • epidemia de Aids – 2,2% de mulheres infectadas e 2% entre os homens
  • 523 mães haitianas morrem a cada 100 mil nascidos vivos

UN Photo/Marco Dormino

Mãe haitiana leva filha para consulta gratuita no batalhão do Sri Lanka, da ONU, em Porto Príncipe

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12 comentários sobre “A saúde (ou falta dela) no Haiti

  1. Olha isso me ajudou na notícia de Português!
    Mais pense que tristeza isso, no olhar da criança!!!
    Eu tenho dó dessas pessoas. Por isso agradeço sempre pela vida maravilhosa que Deus me deu!…
    Olhe pelo lado deles td que eles passam e passaram veja se vc não tem uma vida de ouro?!!!
    Por isso eu tenho dó dessas pobres inocentes crianças que tem uma vida inteira pela frente, elas poderiam ter um futuro digno mais vai saber?!
    Quando fale ou mostra notícias do Haiti principalmente fotos eu não olha pois começo a chorar é mto trsite
    Bjos

  2. Possuo um curso de homeopatia e fititerapia da universidade federal de viçosa .
    gostaria de saber se é possivel com isso atuar no Haiti como Terapeuta Homeopata não médico ,alem destas tive uma passagem de 4 anos entre Índios>Aguardo resposta

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