Terceira indicação para primeiro-ministro no Haiti

O presidente haitiano, René Préval, indicou o terceiro nome para assumir o cargo de primeiro-ministro de seu governo. Desta vez é uma mulher, a economista Michele Pierre-Louis, que atualmente é diretora de uma organização não-governamental. A nomeação está indefinida desde os protestos populares contra a inflação dos alimentos, época em que o ex-premier Edouard Alexis recebeu veto de censura do Senado haitiano.

René Préval

Os outros dois nomes foram recusados: Ericq Pierre, ex-dirigente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e Roberto Manuel, ex-secretário de Segurança da última gestão de Préval como presidente. Ambos foram rejeitados por requisitos constitucionais – o primeiro não era filho de cidadãos haitianos e o segundo não comprovou que morou no Haiti nos últimos cinco anos.

Manuel, inclusive, enfrentava a oposição de movimentos sociais que o acusavam de ter comandado um massacre no bairro de Cité Soleil, em 1996, quando a ONU também mantinha uma missão no país. Algumas matérias atuais, como a da Reuters, citam que ele teve problemas políticos. A verdade nua e crua era que ele comandou uma repressão contra manifestantes e grupos armados que resultou na morte de 10 pessoas.

Justamente o período de residência no Haiti que ele não pôde comprovar ao Congresso foi o tempo em que ele ficou fora do país após a repercussão negativa da ação em Cité Soleil. Manuel é amigo pessoal de René Préval e tinha o apoio de membros da elite haitiana, que cobram uma “mão forte” para acabar com seqüestros e a violência no país. Assim, como também fazem pressão sobre os militares das Nações Unidas.

A nova indicação de Préval, a economista Michele Pierre-Louis, é diretora-executiva da ONG Fondation Konesans ak Libète (Fokal), que trabalha com projetos sócio-educativos. Seu financiamento parte de entidades da União Européia e também do “ex-megaespeculador” George Soros. O trabalho da entidade inclui incentivo à elaboração de bibliotecas, métodos educacionais de ensino fundamental e espetáculos artísticos.

Michele Pierre-Louis

Pela rede internética a voar, é fácil encontrar um texto de Pierre-Louis que discute as causas da morte do jornalista Jean Dominique, assassinado em 2000 em frente à rádio de onde transmitia seu programa às 7 horas da manhã. Sua execução foi investigada num inquérito policial cheio de inconsistências. O artigo aponta problemas políticos do país de oito anos atrás. E que veríamos se repetir. Grupos armados, assassinatos planejados e cerceamento da liberdade de imprensa.

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