Criminoso de guerra julgado por fraude na hipoteca

Um haitiano criminoso de guerra é julgado nos Estados Unidos por fraude na hipoteca. Essa é a idéia do título do artigo do ator norte-americano e militante dos direitos humanos, Danny Glover, sobre o ex-líder paramilitar haitiano Emmanuel (Toto) Constant que é acusado de inúmeras violações humanitárias. Ele não está sendo julgado por seus crimes contra os haitianos, a maioria deles contra partidários de Aristide, mas por ter fraudado a hipoteca. Fiz a tradução de parte do texto aqui para o blog. O resto podem ver por este link em inglês.

Emmanuel (Toto) Constant, um ex-líder paramilitar do Haiti, começou a ser julgado no Brooklyn nesta terça-feira (08). Mas, apesar de sua brutal herança de massacres, torturas e outras violações cometidas sob o seu comando durante 1993-94, este antigo líder de esquadrão da morte não está enfrentando justiça pelo seus crimes de guerra.

Em vez disso, ele está no banco dos réus por conta de uma fraude na hipoteca. Alguma coisa está errada com esta cena. Documentos do governo dos Estados Unidos, obtidos em meados da década de 1990 pelo Center for Constitutional Rights, confirmam o chocante recorde de violações humanitárias de Constant – crimes cometidos enquanto, à época como chefe do grupo paramilitar FRAPH (Frente para o Avanço e Progresso do Haiti), ele orquestrou uma campanha de terror contra os partidários do então presidente Jean-Bertrand Aristide.

Mas curiosamente, por mais de uma década até 2006, Constant tem vivido num relativo conforto do Queens, em parte graças à intervenção do nosso próprio governo federal. As voltas e mais voltas do destino do líder paramilitar Constant, como réu a aguardar julgamento por fraude na hipoteca, nos diz muito sobre a última década da difícil história do Haiti – e a confusa política norte-americana no país mais pobre do nosso hemisfério.

Constant chegou aos Estados Unidos em dezembro de 1994, depois de o governo de Aristide decretar sua prisão por violações dos direitos humanos. Em setembro de 1995, Constant estava prestes a ser deportado pelos Estados Unidos – quando ele revelou o seu papel como um agente da CIA. De repente, a deportação foi esquecida na mesa e ele foi autorizado a permanecer em solo americano.

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