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A Columbia’s School of International and Public Affairs selecionou sete alunos para realizar estudos de campo no Haiti. O grupo vai se preparar até o final do ano e fará a viagem em janeiro de 2009. Os custos serão financiados pela universidades e pela ONU. O planejamento inclui entrevistas com autoridades da ONU, com o governo haitiano, com ONGs e com a população. Os resultados serão apresentados numa conferência no próximo semestre. O blog Morningside Post, um fórum estudantil da escola, divulgará áudios e vídeos da experiência.


Foi um minifuracão. Sem vento, sem chuva, a tragédia impactou fortemente o Haiti. O prédio da escola La Promésse, no município de Petionville, localizado na região da capital Porto Príncipe, desabou. A tragédia matou pelo menos 93 pessoas e deixou mais de 150 feridos. A maioria das vítimas eram crianças que freqüentavam a escola evangélica no momento do desmoronamento. Foram quatro andares do colégio privado que vieram ao chão.

Vários grupos ajudaram no resgate: o contingente militar brasileiro da ONU, Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras, Polícia Nacional do Haiti e voluntários civis. Via e-mail, o embaixador brasileiro Igor Kipman descreveu a ação dos brasileiros. “No interior do prédio da escola, em um túnel estreito que ameaçava desabar, após mais de seis horas de trabalho dramático, conseguiram resgatar com vida quatro crianças haitianas que se encontravam presas nos escombros”.

A capitã médica Carla Maria Clausi comandou o resgate pelos brasileiros e registrou: “Conseguimos salvar com vida, depois de mais de 6 horas de um resgate dramático, quatro crianças haitianas, de 6 e 7 anos de idade, que se encontravam presas nos escombros do andar térreo”. Uma foto desse momento caiu no Flickr. O presidente René Préval explicou que a debilidade do Estado permite a existência de construções precárias e as ocupações ilegais, que dificultaram até o socorro às vítimas.

No Twitter, pessoas de diferentes países repercutiam as notícias. As buscas terminaram em confusão, porque a população queria continuar a escavar o local mesmo sem chances de encontrar mais vítimas.

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Estão “quentinhas” as fotos do upload do fotógrafo Andrew Welch no Flickr sobre a cerimônia vodu para Guédé, no Haiti. Nos mitos, essa foi a entidade que teria se transformado Mackandal, o escravo que liderou um das primeira revoltas contra os brancos na então colônia francesa. Saravá!

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Conheci em São Paulo por meio do Rodrigo Savazoni e do André Deak um grupo de comunicadores realmente impressionante. Que traz discussões quentes para a prática do jornalismo – sua crise, superação e seus novos desafios. Um dos projetos discutidos e formatados por este grupo é o Publico.Org, uma experiência jornalística de protagonismo jovem na periferia de São Paulo.

Coisa de quem realmente vê que a crise do jornalismo também é superada com debates e envolvimentos de quem está atento a novos olhares. Principalmente aqueles que surgem fora do eixo prepotende do main-streaming, e que às vezes está numa laje de favela. A proposta está na corrida para obter financiamento do Knights News Challenge. Leia mais sobre o projeto e vote por esta página.

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Este post faz eco ao texto do jornalista Leonardo Sakamoto, escrito em seu blog. Vamos lá. Passo-a-passo. Quem diz que o Brasil não tem trabalho escravo ligado à cana-de-açúcar? Os empresários, várias fontes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e, agora, um integrante do Itamaraty preocupado com a imagem no exterior. E quem diz que há trabalho escravo? O próprio Ministério do Trabalho com a lista-suja dos maus empregadores e as organizações não-governamentais, como a Repórter Brasil, que acompanham o setor. E a situação é grave? Já foi muito pior, mas ainda há casos de fazendas com flagrantes de trabalho escravo. O que fazer então? A questão não é negar que exista trabalho escravo e, sim, mostrar a presença do Estado nos casos de violação.

Tenho trabalhado como colaborador na produção e edição do programa Plantão Saúde, distribuído para 400 rádios de todo o país. Neste mês, fiz uma edição sobre os direitos dos cortadores da cana-de-açúcar e a situação do setor. Tem uma entrevista com um auditor fiscal do trabalho e outra do Sakamoto. Destaque para as seguintes informações. 1) Um estudo recente mostra que ao cortar uma média de 12 toneladas por dia, o trabalhador precisa caminhar 8 quilômetros, dar 130 mil golpes de podão. Isso o faz perder 8 litros de água. E ainda realiza a atividade sob efeitos da poeira, da fuligem da cana queimada e do sol quente; 2) Dos 5.999 trabalhadores libertados da escravidão no ano passado, 3.131 estavam em fazendas de cana-de-açúcar, em nove fazendas.

Esse discurso que o Itamaraty adota também está impregnado na propaganda dos empresários e pode cair nas garras do que o governo quer “vender” lá fora. Hoje, o Portal Imprensa publicou uma notícia sobre a licitação que escolheu a agência de relações públicas para promover o Brasil no exterior. O sub-secretário da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Otoni Fernandes Jr., afirmou que o etanol deve ser um dos principais motes. “A questão etanol é líder porque vem há 33 anos investindo nesse biocombustível”. “Temos o ciclo completo do etanol”, ressatou. “O Brasil é uma marca forte e precisamos aproveitar o momento”, concluiu. Será uma oportunidade de corrigir o discurso… se houver vontade.


Aqui deixo a cópia das inserções no twitter dos bastidores do programa Roda Viva, da TV Cultura, que gravou nessa terça-feira com a diretora-geral da BBC, Janna Bennett. O conteúdo está no blog em ordem inversa. Os primeiros updates estão lá embaixo. Junto comigo na bancada dos twitteiros do Roda Viva, estavam Lucia Freitas e Barbara Dieu. Entre os entrevistadores estavam Lilian Witte Fibe, Carmen Amorim, Patricia Kogut, Eugenio Bucci, Lucia Araujo, Nelson Hoineff. A entrevista foi exibida experimentalmente on-line ao lado de todas as inserções com a marca #rodaviva no twitter. A fórmula é interessante e está em teste. Conversando com a Lia Rangel, ela comentou que a exibição foi marcada em cima da hora. Apesar disso, achei boa a participação. Horário em que as pessoas estão na net, talvez pela conexão em seus respectivos trabalhos.

Barbara Dieu comentou que é necessário mais interação entre as pessoas do twitter e o programa. Acho que tem melhorado. Hoje, as pessoas podiam mandar perguntas via twitter e via e-mail. Embora poucas (se não me engano quatro apenas) tenham sido feitas realmente à entrevistada. André Deak, o Radar Cultura e o Paulo Fehlauer já escreveram sobre as experimentações no Roda Viva. O search.twitter ajuda a mostra tudo sobre a tag #rodaviva. Em relação à entrevista, acho que foi mediana. Bennett é uma executiva de programação, mais envolvida com a parte de seriados e documentários, mas com pouca relação com o jornalismo. Suas respostas foram afirmativas, mas pouco detalhadas. E os entrevistadores não pediram exemplos de suas formulações sobre publicidade, audiência e conteúdo. Aí deixou a desejar. Contudo, vale por discutir direito à comunicação em horário nobre.

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A ajuda humanitária ao Haiti nas últimas semanas responde vagarosamente à tragédia deixada pela passagem de quatro furacões na atual temporada de 2008. O país já tinha uma situação de empobrecimento extremo e se tornou calamidade internacional. Quase 800 pessoas morreram e outras 18 mil ficaram desabrigadas, segundo os últimos dados oficiais. O governo local – chefiado pelo presidente René Préval –, as Nações Unidas – que coordenam uma força de paz no Haiti (Minustah) – e outras organizações não-governamentais reafirmam que a ajuda atual está aquém do mínimo necessário para a situação. Mas a entidade Médicos Sem Fronteiras faz denúncia pior: a de que além de ser insuficiente, não está conectada a nenhuma estratégia clara para suprir as necessidades básicas da população.

”A ajuda alimentar internacional que chega às comunidade é claramente insuficiente em termos de quantidade, inadequada para as necessidades nutricionais das crianças de pouca idade, e ela está sendo distribuída de uma maneira que exclui as mulheres solteiras com filhos. Não existe ainda nenhuma estratégia clara para identificar as necessidades, nem aplicar uma resposta adequada nutricional”, registra um informe da MSF publicado nesta semana. “Apesar da presença significativa de organizações internacionais – com abundância de especialistas e de publicações que mostram isso –, o povo de Gonaives ainda tem precisa ver benefícios. A temporada de furacões termina no final de novembro. Se outro atravessar a região com mais chuvas, moradores aqui pagarão mais uma vez um preço muito alto.”

Diante deste informe, entrevistei o porta-voz da MSF por e-mail. Gregory Vandendaelen explicou que a entidade é especializada no atendimento médico de emergência e que, mesmo após algum tempo dos desastres no Haiti, os casos críticos não diminuem. Entre os fatores está o atendimento impróprio da ajuda humanitária. “Não é só sobre a quantidade da ajuda, é mais sobre a forma como ela é organizada. Contra a desnutrição, por exemplo, não é a quantidade de comida que irá ajudar as crianças e, sim, a qualidade. Arroz, óleo e grãos farão pouco ou nada por eles. Precisam de alimentação terapêutica, rica em proteínas, vitaminas e nutrientes. O que denunciamos aqui é a falta de estratégia e prioridade”, disse. A MSF clama para que as organizações e o governo haitiano examinem imediatamente suas respostas de emergência e priorizem o amparo às crianças vítimas das inundações.

A crise dos alimentos no mundo piorou a situação do Haiti em 2008. Uma notícia do site oficial da Minustah de julho já mostrava o impacto da inflação. “Os preços de produtos como arroz, milho, farinha, açúcar, óleo, palhetas, as mangas têm crescido muito. O saco de milho estava em 400 gourdes no ano passado e agora subiu para 1050 gourdes (1 dólar = 37,50 gourdes). O arroz passou de 125 a 225 gourdes por saco”, afirma. Antes da crise alimentar, observa Stephanie Debere, da Oxfam, as pessoas comiam arroz, feijão e legumes. Agora os vendedores do mercado estão sendo forçados a abandonar a atividade, principalmente após a enxurrada de arroz subsidiado que chegou com a pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI). O responsável da Coordenação Nacional para a Segurança Alimentar haitiano (CNSA), Gary Mathieu, estima que 3,3 milhões de pessoas enfrentam problemas para se alimentarem no Haiti após a passagem dos ciclones, que afetaram as safras e a produção agrícola.

No mundo, segundo a FAO, o Haiti se soma a outros 36 países que necessitavam de ajuda estrangeira contra a crise dos alimentos. Na América Latina, Haiti, Honduras e Haiti possuem a combinação explosiva de baixa renda e déficit na produção de alimentos. O último relatório oficial da ONU sobre o Haiti, que embasou a decisão do Conselho de Segurança de prorrogar a força de paz até 2009, indica que a produção nacional de alimentos e ajuda internacional não cobrem mais do que mais do que 43% e 5% de suas necessidades, respectivamente. Isso tem influenciado de maneira direta e intensamente na economia do país e nas condições de vida da população. O déficit comercial do Haiti aumento US$ 185 milhões (2,5% do PIB) durante os seis primeiros meses de 2008 por conta da alta dos alimentos. A inflação dobrou, alcançando 15,8% em junho do ano passado, ante 7,9% de todo o exercício de 2007.

Também repito aqui algumas propostas (minhas e de outras entidades) para ajudar na crise humanitária do Haiti. 1) Perdoar a dívida externa haitiana, sobretudo sua célula-mater em posse da França, antiga metrópole colonial que ganhou rios de dinheiro com a escravidão e ainda cobrou para reconhecer a independência da colônia; 2) Melhorar a produção local de alimentos com incentivos fiscais e reforma agrária, priorizando os pequenos agricultores; 3) Rever todas as negociações em curso do comércio mundial que aprofundam o abismo da importação de alimentos, o que funciona como uma espécie de dumping mundial contra o Haiti. 4) Ajudar a encontrar recursos com países doares para suportar o plano haitiano de combate à pobreza.

PS: este texto foi produzido para integrar as ações do Blog Action Day 2008, celebrado hoje no mundo todo com o tema “pobreza” ao mesmo tempo em que são feitas centenas de atividades do Dia Mundial da Alimentação.


Fotos recém atualizadas no Flickr de uma viagem de Alfredo Esteban Estebann pelo Haiti e República Dominicana. Só seguir a placa


A bola estava cantada. O Conselho de Segurança das Nações Unidas renovou a permanência da força de paz no Haiti por mais um ano, incluindo planos de ação pelo menos até a posse do novo presidente em 2011. Ou seja, a decisão foi tornada oficial hoje, mas, na prática, é uma formalidade das rotinas burocráticas da diplomacia. O que interessa é que a nova resolução não traz nenhuma mudança formal na configuração dos trabalhos. Mais de um ano e meio depois de relativa tranquilidade no país, passada a etapa das ações militares em Cité Soleil, o número de soldados permanece o mesmo sob o argumento que de a segurança ainda é frágil. Nada indica que o modelo de missão de paz da ONU vá apresentar resultados mais concretos para os verdadeiros problemas do povo haitiano – pobreza, falta de saúde, educação e emprego.

A resolução apresentada hoje mantém o Haiti como região de conflito, mantendo as regras de engajamento militar, com a observação de que a segurança é necessária em situações como os protestos da população em abril diante da inflação dos alimentos. Além, claro, após a devastação brutal causada pelos quatro furacões recentes (Hanna, Gustav, Ike e Fay), que, segundo o diplomata Luiz Carlos da Costa, assessor do secretário-geral da ONU no Haiti, atrasará em cerca de um ano a “estabilização” do Haiti. “A resolução reconhece a necessidade de uma conferência de doadores de alto nível para apoiar a estratégia nacional de crescimento e redução da pobreza no Haiti. Nesse sentido, pede ao governo haitiano e à comunidade internacional de doadores a implementar um sistema eficiente de coordenação de ajuda”, diz a ONU.

Esse anseio por mudança está há tempos na cabeça de entidades civis haitianas (leia matéria de 2005), na dos próprios militares (leia general Heleno em 2004) e dos diplomatas – recentemente o embaixador Igor Kipman falou sobre disso. “Eu continuo defendendo que o Brasil, nesse próximo contingente [que será o décimo] ou no outro, mande menos combatentes e mais uma companhia de saúde, mais pessoal de educação”, indicou na Agência Brasil. Depois, ao jornal O Estado de S.Paulo, foi mais explícito. Ao falar sobre a prorrogação sob os mesmo “moldes”, o diplomata disse que vai atuar por mudanças no composição das tropas e na manutenção do Capítulo 7 da Carta da ONU, que autoriza o uso da força. “Não precisamos de combatentes para ensinar criança a escovar os dentes. Temos 900 combatentes fazendo ações cívico-sociais, como distribuição de alimentos e construção de latrinas.”

Nesta última reportagem, inclusive, feita pelo jornalista João Paulo Charleaux, há uma ótima análise sobre o fracasso do braço civil da Minustah, a área da missão responsável pela atuação policial, por novos projetos humanitários e pela articulação de trabalhos das agências da ONU. Entre os argumentos do texto, está um dado que consta no balanço do último ano da missão. Elaborado pelo chefe da Minustah, Hedi Annabi, o relatório cita que a produção nacional de alimentos e ajuda humanitária que recebe não cobrem a metade das necessidades da população. “O Haití importa 52% do restante de seus alimentos (o que inclui mais de 80% do seu arroz) e todo o seu combustível”, registra. Ou seja, sem mexer na estrutura econômica do país qualquer ação militar será um processo “enxuga-gelo”.


A BZ Films fez o vídeo “Haitian Hope” em conjunto com a ONG Parterns In Health para mostrar a situação do país caribenho após os quatro furacões. A trilha deixou em mim a impressão de que o material foi editado para incentivar o derretimento de corações, mesmo que as imagens falassem por si. Mas vale a pena…




meu flickr

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outro da fila

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…e por último

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